Márcio Zaganin: Investir na qualidade para competir com o mercado internacional
A N. Zaganin (www.nzaganin.com.br), primeira custom shop do Brasil, é um caso de grande sucesso de empreendedorismo, de qualidade de instrumentos e de maestria em serviços de manutenção e reparos. Na entrevista, Márcio falou sobre seus objetivos para os próximos anos, sua supervisão dos instrumentos Tagima e de novidades que veremos em breve. Confira! Acompanhei parte da sua história. Em 2002 eu queria instalar um sustainer numa Jackson USA e fui à sua antiga oficina, na Pompéia, em São Paulo. Na época, lembro de você ter me dito que fazia cerca de seis guitarras por mês. Márcio: Era algo como três por mês. E hoje vocês produzem quantas? Márcio: De 25 a 30, em média. É um crescimento de cerca de 10 vezes, em 5 anos. É um case de sucesso de negócio. Comente sobre como surgiu essa paixão, esse gosto por fazer instrumentos. Márcio: Eu comecei em 1989, mas antes disso, meu irmão já era baixista, e eu, então com 12 anos, já me interessava pelo assunto, por causa do contato com o instrumento. Também sempre tive aptidão para trabalhos manuais, em mexer com madeira. Quando moleque lia revistas de eletrônica, gostava de sempre comprar e aprender. E gostava muito de música. Tinha aquela febre de adolescente, de querer tocar, ficar ouvindo as bandas, e então você se envolve, sem querer. Vira e mexe tinha que fazer algum ajuste/reparo nos instrumentos do meu irmão, e eu já metia a mão. Às vezes não ficava tão bom, mas eu fazia. Até que, em 89, um colega foi trabalhar numa luthieria, numa fábrica de instrumentos musicais que havia na Vila Madalena e me chamou. Fui meio que na onda, com uns 16 anos, nem pretendia trabalhar, mas achei interessante entrar pra aprender, ver como era e ganhar um troco. Lá eu fiquei uns três anos, aprendi a base da luthieria, aprendi muito do que não se fazer também (risos). Depois que eu saí dali, montei uma pequena oficina na minha casa, a que você conheceu, mas meio que por hobby. Quando você montou essa oficina e quando surgiu a marca M. Zaganin? Márcio: Montei em 93, mais ou menos. A marca M. Zaganin passou a existir desde 93 também. Bolei a marca sem muita pretensão, só pra usar como registro, e ela continua a mesma desde então. Um amigo fez o logo. Depois de montada a oficina, comecei a fazer manutenções para alguns amigos, e cheguei a trabalhar de roadie para bandas. E você já construía? Márcio: De cara, assim que montei a oficina, já fui construindo, porque era o objetivo – eu comprei as máquinas e instrumentos pra isso. No começo era hobby, mas eu já construía. O instrumento já saía completo, mesmo que rudimentar, porque a paixão mesmo era construir. E, de quebra, por sempre ter tido amigos músicos, como você sabe, vai se formando aquele meio onde todos tocam, sempre tinha alguém precisando de uma manutenção. Então sempre trabalhei com manutenção e construção, paralelamente. Fui construindo e comecei a questionar o sentido de fazer apenas guitarras baratas. Não queria fazer por fazer, eu não tinha muito a visão comercial na época... Até porque era a época do dólar estar 1 pra 1, e uma Gibson, uma Fender, estavam todas baratas, não tinha como concorrer com nada. Então, meu objetivo não era comercial, era só pelo prazer mesmo. Fui estudando, aprendendo, e muitas vezes fazendo instrumentos a preço de custo, sem ganhar um centavo, para amigos, por exemplo. Eu falava para trazerem ponte, captador, comprávamos madeiras, o cara pagava o custo operacional, a matéria prima, e eu fazia, mesmo sem cobrar nada, pela amizade. Então, durante muitos anos, eu fui tocando assim, pratiquei com amigos-cobaias, sem cobrar (risos). Depois fui me especializando e passei a cobrar, mas muitas vezes mantendo preço de custo pra viabilizar o prazer. Passaram-se alguns anos e eu decidi que era aquilo que faria da vida, então me aprimorei, e notei que estava num nível que permitia cobrar o valor justo. Mesmo assim, eu não tinha estrutura pra fazer uma produção - eu construía 2, 3, 4 por mês, no máximo. Paralelamente eu fazia as manutenções, e elas também me tomavam muito tempo, mas eu dependia disso também. Dessa forma, você agrega outros amigos pra trabalhar, ajudar a construir, e assim foi indo. Você tem algum marco em sua história? Por exemplo, um que me chama a atenção é a mudança de oficina, para este prédio legal, bem montado... Márcio: Sim, acho que um dos marcos ocorreu em 99, quando fizemos a primeira guitarra para o Frejat, que é um artista de grande expressão, e veio procurar a gente por intermédio do Martau, que é um super amigo nosso. Sempre fui fã do Frejat, e de repente ele me procura pra fazer uma guitarra. Eu achei isso demais. (veja aqui a entrevista com Roberto Frejat). Até então, eu já tinha feito instrumentos legais. Nunca me interessei por fazer porcaria, e pra fazer esses instrumentos tem que usar peças muito boas, madeiras muito boas, e isso tem um custo. Nesse momento você começa a enfrentar uma barreira de poucas pessoas pagarem por aquele custo, e de um luthier que até então não tinha muito nome, pouca expressão. De repente apareceu o Frejat e comprou! Isso foi um marco importante e daí também já surge um currículo mais legal. Depois dele, veio o Maurício, que era baixista do Zeca Pagodinho, e um cara muito legal, mas que já faleceu... Ele também acreditou na gente, na época, e chegamos a fazer uns 5 instrumentos pra ele, todos top. Mais tarde veio o Serginho Carvalho, que se tornou o baixista do Djavan e que era cliente meu em manutenção - acho que foi o primeiro baixo no Brasil de estilo fechado, inspirado em Fodera. Posteriormente, nossa nova oficina, onde estamos agora um, prédio de porte, na Lapa, em São Paulo, com áreas adequadas e separadas para show room, manutenção construção, armazenagem de madeiras, etc. Aqui consigo montar a infra-estrutura necessária para crescer a empresa. Esses foram os marcos: Frejat (Barão Vermelho), Maurício (Zeca Pagodinho), Serginho Carvalho (Djavan) e a nova oficina. No início, outro marco foram os primeiros instrumentos que fiz pro meu irmão. A mudança pra a nova oficina foi seguindo qual objetivo? Márcio: Sempre tive ambição de crescer, de produzir mais, mas estava na minha. Fui procurado pelo Ney Nakamura (Marutec www.marutec.com / www.tagima.com.br), que é meu sócio, porque ele viu uma possibilidade legal de um negócio, já era do ramo, tinha uma fábrica, a Marutec, e queria saber se eu queria crescer. Respondi que sim, mas que não gostaria de fabricar 800 instrumentos por mês, e que minha idéia era fazer um custom shop, como era a Ernie Ball, a PRS, que antes fabricavam 40, 50 instrumentos por mês - eram pequenas fábricas, muito custom e de alto nível. Meu sonho sempre foi fazer isso: uma pequena fabricação de instrumentos customizados. E você tinha um número de instrumentos em mente como meta? Márcio: Eu concluí que, com uma equipe legal, bem estruturada e especializada, entre 40 e 50 instrumentos de alto nível seria uma bom número. Ele permite que eu supervisione tudo ainda pessoalmente. Então a fábrica teria esse objetivo, e toda a infra pra isso. É um objetivo agressivo. Acho que empreender no Brasil é algo bastante difícil, em cinco anos, vocês multiplicaram a produção por 10, e agora pensam em quase dobrar... Márcio: A gente tem interesse em ampliar mais a produção. Na verdade, os dois primeiros anos foram complicados, em termos de produção. Porque tínhamos que conseguir produzir bem, sem perder a qualidade... Antes fazíamos três, e agora subiu pra 30. Logo que você mudou pra cá, havia uma demanda reprimida de instrumentos pra fazer? Márcio: Tinha. Não havia falta de demanda mesmo. Na época da oficina menor, quando ainda fazia três instrumentos por mês, eu cheguei a ter uma lista de espera de 20 instrumentos encomendados. Ou seja, eu tinha quase que o ano todo já encomendado, em fila. Chegou uma hora que começou a ficar complicado dar vazão. Aí o meu prazo, que era de dois meses, começou a virar 4, 5, 6 meses. A mudança pra cá te possibilitava ter a infra para escoar a demanda, mas e o desafio de manter a qualidade, tendo mais gente trabalhando? Márcio: Na verdade, minha intenção não era nem manter a qualidade, mas melhorá-la. Fora o crescimento, era melhorar a qualidade. Mesmo quando eu fazia cada instrumento, um a um, acho que eles já tinham boa qualidade, mas eu sempre via como melhorar. Isso você só consegue com mais estrutura, mais investimento, o que eu não tinha na época. Então, esse crescimento também foi pra isso, porque hoje eu tenho mais recursos, mais tecnologia para a construção de instrumentos melhores. Aí a quantidade vai do desenvolvimento de processos, do treinamento do pessoal, e isso leva um tempo. Hoje, depois quase quatro anos, a gente conseguiu chegar numa produtividade satisfatória e a intenção é melhorar cada vez mais, tanto na qualidade quanto na produtividade. A gente continua investindo pra isso. Qual a data para atingir os 40 ou 50 instrumentos por mês? Márcio: Eu imagino que até o final de 2009 a gente consiga chegar em 50 instrumentos. Você pretende manter a estrutura para suportar o crescimento nesse novo prédio? Márcio: Sim, com certeza, aqui comporta. Tem espaço. Só precisaremos de mais investimentos, como maquinário. Inclusive, estamos investindo agora em máquinas CNC, que é máquina de controle numérico, computadorizada, para algumas operações. Vocês não fazem isso hoje? Márcio: Não. Por exemplo, guitarras que exigem escavações customizadas e cortes precisos, a gente desenha aqui, mas manda para um fornecedor executar, pois não temos essa máquina. Tive que terceirizar essa atividade. A compra dessa CNC possibilitará fazer um monte de coisas, customizações, qualquer tipo de detalhe, desenho, escrever... Hoje em dia eu não pego esse tipo de serviço, e não é por não conseguir fazer, mas por ser muito trabalhoso de se fazer à mão. Eu teria que cobrar o dobro do valor da guitarra pra ver esses detalhes, então eu nem disponibilizo esse serviço. Vocês estão verticalizando o negócio. Dá pra dizer que vocês estão investindo em produtividade, qualidade e diversificação também? Márcio: Exatamente, e verticalizar traz recursos pra outras coisas também. Você começa a ganhar mais know-how, porque antes eu tinha uma referência, mas aí eu fazia um instrumento, com determinado tipo de madeira, de captador, testava, via como soava, tirava próprias conclusões. Verticalizando, você vai tirando muitas conclusões. Com tudo em casa, como a rotatividade é maior, você consegue evoluir ainda mais rápido. Tanto pra bem ou pra mal, suas conclusões vêm mais rapidamente. E para 2008, você tem planos, novidades? Márcio: Então, não temos grandes lançamentos de modelos novos, mas vamos incrementar alguns modelos. Com a aquisição do CNC, vamos diversificar e melhorar ainda mais a qualidade. Eu ainda estou em busca da qualidade perfeita. Estamos num bom nível, que era a idéia inicial, mas eu quero melhorar, tanto na qualidade quanto no padrão de fornecimento, de atendimento, como uma empresa com todos seus departamentos, não só como luthieria, produto. Queremos melhorar como empresa. Você já está pensando em excelência em gestão, numa profissionalização maior... Márcio: Isso mesmo. Não estou mais olhando apenas como um luthier que quer construir aquele instrumento legal, mesmo que isso seja o que move tudo. Agora quero uma organização de empresa mesmo, da fase de construção, até você ver o instrumento pronto, saindo daqui num bag legal, com um case legal, com a flanelinha, se o cliente foi bem atendido, etc. Tem que gerir todo o processo pra ele ficar sempre redondo e completo, não só se preocupando com a construção - que sempre foi o maior foco. Sempre preferi não cumprir um prazo a comprometer a qualidade do instrumento. Agora, além disso, também me dedico a trabalhar essas outras variáveis de empresa. Como funciona sua supervisão da produção da Tagima? Márcio: Eu tenho uma amizade, uma parceria com o Ney, que é sócio aqui e dono da Tagima, há muitos anos. Na Tagima ele precisava de alguém na parte de desenvolvimento, de melhoria de qualidade do instrumento, e de conceito da marca mesmo. Ele já tinha me chamado há alguns anos, eu não pude aceitar por estar montando aqui. Do fim de 2005 pra cá, resolvi assumir essa parte de desenvolvimento dos instrumentos, que é a criação de novos modelos, desenvolvimento de produção e de produto; melhorar instrumentos antigos; criar novos modelos. Isso tem a ver com controle de qualidade? Você inspeciona os instrumentos que saem? Márcio: Eu não inspeciono todos os instrumentos, mas eu inspeciono a qualidade da produção. Estou sempre vendo o que está saindo, pelo critério de amostragem. Então corrijo eventuais falhas, defeitos, e faço as melhorias necessárias. A Tagima tem uma super estrutura, é uma fábrica muito legal, com um pessoal muito competente. É a produção brasileira da Tagima que você supervisiona? Márcio: Eu também supervisiono a Tagima importada, além do desenvolvimento da Tagima brasileira. Agora, o que é fabricado fora do Brasil eu também supervisiono. No ano passado e no retrasado eu fui à China e pude visitar as fábricas onde essas guitarras são produzidas. Não existe um plano de convergência, em que Tagima e Zaganin sejam instrumentos iguais? Márcio: Não, são duas linhas distintas. Aqui temos uma proposta de fazer um instrumento mais high end, mais profissional, um instrumento de nível AAA, enquanto a Tagima propõe fazer instrumentos de níveis mais populares até os tops de linha. Na Tagima, eles têm um conceito diferente de instrumentos, outras linhas, e a intenção deles é também evoluir, fazer mais tops de linha, por que não? E aqui na Zaganin, temos outros modelos top, e daí pra cima, com mais possibilidade de oferecer custom ao cliente, o que não ocorre na Tagima. Sim, a Tagima atende outros nichos também. Em alguma coisa, até compete com o nicho de vocês... Márcio: Em algum modelo ou outro, até esbarra alguma coisa. Mas isso é normal. Eu senti que existe no mercado a curiosidade sobre M. Zaganin (pré associação com o Ney) e N. Zaganin (pós associação com o Ney), para saber qual é melhor. São rumores de que se é “M”, então foi o Márcio diretamente quem fez, então é melhor. Por outro lado, se é “N”, então tem mais tecnologia, já foi produzida pela equipe mais especializada e é melhor. Isso pode se refletir também no preço. Há quem fale que são dois produtos diferentes. Márcio: Na verdade, um é a seqüência do outro. É tudo a mesma coisa, mudou o logotipo. E, ao mesmo tempo em que eu fazia uma a uma, quando era M. Zaganin, eu tinha um outro know-how. Hoje, de repente, eu não faço uma a uma, mas supervisiono uma a uma, também com outro know-how. Então, os que eram M. Zaganin foram todos instrumentos excelentes. A idéia é essa. É que na época da M. Zaganin, ainda não havia uma linha definida, e hoje a coisa está mais bem padronizada. Mas isso é muito relativo, e eu não diria que uma vale mais que a outra, eu considero como se fossem a mesma coisa. De repente, um poderia ser menos requintado, por ser mais antigo, mas isso também agrega um valor. Então não sei como avaliar diferente. Já vi também venderem meus instrumentos com valor mais alto por ter assinatura M. Zaganin, mas sei lá (risos). É o mercado que cria essa onda? Márcio: É inevitável. Mas pra mim vem tudo do mesmo lugar, o foco nunca mudou, o objetivo sempre foi o mesmo, de M até N. Zaganin. O processo de construção continua o mesmo, talvez com um pouco mais de padrão. Talvez antigamente houvesse um pouco mais de arte, porque era feito bem à mão, mas o objetivo final, que é fazer um bom instrumento, com bom acabamento, que afine, que toque com um bom som, é o mesmo. Um bom instrumento é um bom instrumento, seja ele antigo ou novo. O mesmo pra um instrumento ruim - se ele for vintage, tiver 40 anos, ele será um instrumento ruim e velho (risos). Pra mim não tem essa. Existe também outro rumor: como a N. Zaganin está com mais exposição, e com relações com artistas, existe o medo de seus instrumentos se tornarem mais caros no mercado. Márcio: Sim, claro. Nossos instrumentos já não são muito baratos, em conseqüência do próprio custo, e, por enquanto, continuamos trabalhando com o mesmo padrão de preço de quando era M. Zaganin. Não há ainda nenhum plano de elevar preços, porque não é essa nossa política. Queremos que, da melhor maneira possível, vendamos instrumentos acessíveis. Não é tão acessível devido à proposta de qualidade - eu pago por materiais melhores, funcionários melhores, e isso já eleva o valor do instrumento. Mas essa ganância de, agora, elevar os preços, não combina muito com nosso interesse. De um tempo pra cá, talvez há um ano e meio, também vi acessórios N. Zaganin. Vocês lançaram correias, bags... Márcio: A gente quer expandir cada vez mais. Estamos produzindo também cases, por encomenda, e captadores. Sempre mexi com captadores, mas agora estamos pensando na produção. Já enrolei este projeto algumas vezes, mas agora estamos atrás disso seriamente. Serão captadores nossos mesmo. Estão diversificando bastante. Verticalizando e horizontalizando também. Márcio: É essa a idéia. O foco principal é melhorar como empresa. Fazer funcionar o que temos agora da melhor maneira possível. Administrativamente é uma empresa pequena. Eu vejo você e o Walter (Gerente Administrativo) aqui, cuidando da administração. Márcio: Sim, somos eu e o Walter fazendo tudo do administrativo (risos). Até certo ponto, é uma coisa interessante, porque fica uma estrutura enxuta, com decisões rápidas, enquanto todo o pessoal está trabalhando na produção. Márcio: Às vezes, eu e o Walter também vamos pra produção, mesmo cuidando da administração. A gente sempre tenta participar da montagem, mesmo sem fazer todos os instrumentos. Eu vou até a marcenaria, estou sempre mexendo em instrumento, ajeitando o braço, coloco uns inlays, faço o shape no corpo, etc. Faço porque gosto, porque faço questão, e porque é importante também. Você considera que atingiu o sucesso que queria? Márcio: Eu não vejo bem assim. Eu fico feliz por estar fazendo um trabalho honesto, mas sobre sucesso eu não sei. Às vezes eu vejo algumas pessoas falando bem, e fico super feliz, orgulhoso. Isso incentiva muito a gente, ajuda a empurrar. Sempre tem, também, quem critica. Mas sucesso, pra mim, é ter ainda mais estabilidade. Independente do que se fala por aí, de ser legal ou não. Estabilidade em relação a quê? Márcio: Estabilidade comercial, de vendas, de produtividade, onde queremos chegar agora. Produzir sistematicamente, em padrões perfeitos, dentro do prazo, com qualidade. E depois dessa produção, que a venda corra naturalmente, que o mercado aceite bem. Isso pra mim seria um sucesso. Eu fico muito feliz com alguns sucessos, como ter criado uma boa carteira de clientes artistas - nem todos famosos, mas pessoas que eu curto. E isso é super gratificante. Mas você não pode viver disso pra sempre, porque isso não vai fazer sua empresa pagar as contas. Portanto, depois que tudo estiver rodando perfeitamente, de atendimento a cliente à entrega, é aí que considerarei sucesso. Você quer deixar alguma mensagem pros leitores do Território da Música? Márcio: Até hoje a gente sofre com a barreira do preconceito. A pessoa analisa que tem x dinheiro na mão, que dá pra comprar um N. Zaganin, ou uma Fender, uma Gibson. Ainda tem muita gente que ainda compra o importado, só por ser importado. Não tenho pretensão de achar que o meu é o melhor instrumento do mundo. Eu acho que tem muitos outros bons fabricantes e cada um se identifica com uma marca. Mas já aconteceu de clientes experimentarem uma guitarra daqui e gostarem muito. Aí o cara vai na loja, experimenta a importada famosa, e compra, mesmo preferindo a nossa (isso foi um próprio cliente que contou). Mas o cara compra pela marca, ainda que se arrependa depois. Hoje, graças a Deus, já diminuiu esse preconceito sobre marca. Mas no começo era duro. Meu preço não é tão competitivo, mesmo a qualidade e o conceito sendo. Então, meu recado é que o cara vá pelo que acha que deve comprar, não só pela marca. Tem quem tenha fetiche pela marca, mas nem sempre é por isso que se compra aquele instrumento. Interessante sentir a reputação dos instrumentos Zaganin crescendo cada vez mais. Acho que o fetiche está migrando. Soa muito bem ter uma Zaganin, o fetiche é ter uma delas, seja “M” ou “N”! (risos) Márcio: Sim, que seja! (risos) Hoje já tenho resultados legais nessa área, com gente querendo fazer rolo com a gente com as importadas. Começamos a competir com mais igualdade. Ficarei feliz quando disserem que uma fábrica brasileira está no mesmo nível de sucesso que outras grandes de primeira linha internacional. Fonte:http://www.territoriodamusica.com/entrevistas/?c=593 | ||||||
domingo, 8 de janeiro de 2012
Entrevista com Marcio Zaganin
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